Escrevi em linhas dóceis minha viagem
Travestido de poeta não sou eu
Minha escrita é terna
Meu falar é duro
Meu dizer é praga
Meu contar é puro
Meu viver é meta
Meu olhar escuro
Sou mistura e como mistura me perco
Ai de mim, sôfrego ser
Hora homem que cala
Hora poeta que escala
A tortuosa pedra do não ter
Nem força, nem coragem
De ser um só
Pudera eu fosse feito passarinho
E nascer alado, livre, único
Mas não
Sou gente inquieta
Tal qual o bicho
E na impossibilidade de voar
Na latência de sonhar
Desdobrei-me em dois
O poeta que por vezes vai embora
E o menino que por sua falta chora
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
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5 comentários:
Passarim quis pousar, não deu voou...
Oi...
Lindo demais....
Eu abraço seu poema....
bjo!
Zil
coisa linda!
Já estava com saudade dessas suas palavras tão doces para quem lê. :)
E sabe? Tenho certeza que embora dois, a poesia reina em ambos os lados: O poeta que finge ir embora, mas sempre permanece e o menino que por sua falta momentânea chora, em forma de poesia.
Que lindo, você começou o ano inspiradíssimo! Adorei a justaposição adulto/criança.
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